Se sonhar me afasta dos meus medos...
A realidade me esbofetei-a, cruelmente...
Posso fingir que sou outra pessoa...
Posso até ser indiferente...
Mas a verdade, apanha-me, sempre na curva da vida...
Tento fintá-la, é verdade...
E ás vezes julgo conseguir...
Mas pobre de mim...
È mentira...
Ninguém engana a vida...
E eu, muito menos...
Vivo duas vidas distintas...
E cruelmente fatais...
Uma eu mostro, sem preconceitos...
Sem pudor...
Sem medo de me assumir mulher...
Gente grande...
Outra, bem mais escura...
Eu guardo, essa ninguém conhece, e até eu ás vezes, tenho medo dela...
È cruel...
Doentia...
Desnecessáriamente, intolerante...
Até para mim o é...
Eu, tento fechá-la, a sete chaves...
No meu eu mais profundo...
Nem sempre o consigo...
Mas tento sempre...
Nesta luta desigual, entre mim e eu...
Fica sempre um cansaço imenso...
È uma luta dev titãs...
Tenho dias em que me sinto, derrotada...
A outra, ganhou...
Mais uma vez...
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